Mentoria em Adoção

O suporte à família constituída pela via da adoção, e/ou a cada um dos seus elementos, ao longo do seu ciclo de vida, é fundamental.
A parentalidade comum é um dos desafios mais exigentes para a pessoa e para a família. A parentalidade adotiva acumula com essas exigências, outras que decorrem das necessidades específicas da criança que chega à família e que, necessariamente, tem uma experiência de trauma.
O trauma é muitas vezes entendido como um acontecimento muito intenso ou extraordinário na vida de alguém. Como uma guerra, uma calamidade ou um abuso severo. E também o é. No entanto, tendo em conta as perspetivas mais atuais, o trauma desenvolvimental refere-se aos impactos profundos e duradouros de experiências adversas, repetidas e prolongadas que ocorrem durante os primeiros anos de vida, tipicamente dentro das relações primárias de cuidado. É um processo contínuo que afeta o desenvolvimento cerebral, emocional e relacional da criança.
Ou seja, como nos ensina G. Maté, "o trauma não é o que nos acontece, é o que acontece dentro de nós como resultado daquilo que nos aconteceu".
Ora, assim sendo, uma criança que foi afastada da família biológica e que, muitas vezes, esteve sob cuidados múltiplos e de baixa qualidade, viveu necessariamente experiências adversas na infância, o que a faz vítima de trauma. Assim, traz consigo um conjunto de caraterísticas suplementares e de necessidades específicas que os pais devem compreender e às quais devem saber responder.
A relação de vinculação, o mesmo será dizer que o cuidado e a segurança, estão dependentes desta capacidade de leitura e de resposta às necessidades da criança. A saúde mental e o bem-estar de todos os envolvidos também!
A Mentoria em Adoção foi desenhada para ajudar os pais, precisamente, a compreender e responder às necessidades destes seus filhos tão especiais. E os filhos igualmente: a compreender e responder às suas necessidades identitárias e decorrentes da sua história.
Este trabalho foi apelidado, por mim, de mentoria, uma vez que eu sou psicóloga e que tenho procurado especializar-me em trauma, adoção e parentalidade terapêutica, mas que também sou mãe pela via da adoção de duas meninas, que me encheram a casa quando tinham 4 e 5 anos. É, portanto, uma mentoria porque é um trabalho levado a cabo por uma pessoa que acumula a sua experiência técnica com a sua experiência pessoal.
O que aprendo com vários autores de referência na área e com as duas mestres da minha vida, as minhas filhas, quero partilhar e colocar ao serviço de outras famílias e pessoas que se revejam nesta experiência e que precisem de ajuda ou que queiram continuar a florescer (sozinhas ou em família).
Estou disponível para ajudar nos vários momentos do ciclo de vida das pessoas adotantes e adotadas e das suas famílias:
- Fase de preparação da candidatura
- Fase de espera
- Fase de integração na família (pré-adoção)
- Fase de adaptação e desenvolvimento
- Fase de busca das origens
- Relação com outros sistemas: família alargada, escola...
"As raízes da resiliência (...) devem ser encontradas no sentimento de ser compreendido e de existir na alma e no coração de um outro - afetuoso, sintonizado e senhor de si."
D. Fosha
